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quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Episódios Perdidos X Escritos Perdidos

Silvio Santos: - Já viu os episódios todos? Sabe quantos episódios são diferentes?
Rogério: - Olha... São 250 que vocês tem aqui, né?
Silvio Santos: - Exatamente.
Rogério: - Ficam repetindo, né. E os misteriosos perdidos , cadê né?
Silvio Santos: - Como é?
Rogério: - Os episódios perdidos.
Silvio Santos: - Não. Ainda não encontramos os perdidos . Mas encontramos os novos, os desenhos.
Rogério: - Isso é bom, isso é bom..
Silvio Santos: - Já Chegaram 24 desenhos. Já viu 12. 13 aliás.
Rogério: - 26.
Silvio Santos: - Já chegaram, lá pro final do ano.
(Diálogo do extinto programa 21, um programa do SBT, lá um sonho de muitos fãs foi realizado: perguntar ao proprietário da emissora, Sílvio Santos, a respeito dos episódios perdidos .Rogério, é um gaúcho que faz imitações do Kiko, participou do programa que sempre levava alguém que sabia tudo sobre alguma coisa, faziam várias perguntas sobre o assunto que o convidado dominava e caso ele fosse bem ganhava um prêmio em dinheiro).

Muitos fãs de Chaves sabem bem do que estou falando. Tenho amigos que não são tão fãs assim mas que já ouviram falar e me perguntam sobre eles. Mas para quem nunca ouviu falar, existem episódios do Chaves que não passam mais, uns apenas passaram uma vez e depois nunca mais foram mostrados.
Há várias "teorias" de como esses episódios se "perderam". Entre elas até incêndios e inundações. O caso é que até em chamadas comerciais para o Chaves haviam trechos de um episódio perdido , além disso, no extinto programa Falando Francamente, mostraram o lendário episódio dos Espíritos Zombeteiros, portanto podemos concluir que esses episódios não foram "incendiados" nem "inundados" nem mesmo perdidos.
A lista dos ditos "episódios perdidos" é imensa porém praticamente 80% deles são primeiras versões de outros episódios que são exibidos normalmente. Tirando também as esquetes como a dos ladrôes Beterraba e Peterete (www.youtube.com/watch?v=uhyYJC1zA7I) que não são exibidos.
Uma curiosidade é a hipótese de censura de alguns episódios com cenas "não recomendadas" para crianças, pois as atitudes dos personagens poderiam influenciar o público infantil a repetir os mesmos atos, dois exemplos:

"Os Inseptos" -1ª versão: Chaves lambe o ferro quente de passar roupas

"Brincando de Atropelamento"(A cruz vermelha 1ª versão): Chiquinha coloca esmalte de unha no olho do Kiko para simular o sangue na tal brincadeira.(coisa que seria perigoso na vida real)

"Tudo isso deve-se ao fato de que Chaves a princípio não foi feito para crianças. Era um programa humorístico que ocupava o horário nobre no México e se voltava para um público adulto que atingia o horário. Mas sua popularidade e enredo atraiu também as crianças e a partir daí, Chespirito passou a tomar cuidados com a atitudes dos personagens, diálogos, o tema, e a história dos episódios ."
Fora esses dois episódios, Os Espíritos Zombeteiros citado anteriormente é um capítulo à parte. Embora seja quase certo que seu cancelamento se deve a não renovação dos direitos de exibição por parte do Sbt , dá pra ter uma idéia pelo seu conteúdo a causa, motivo, razão e circunstância de não se esforçarem tanto para renovar, dado que o Espiritismo é levado muito a sério no Brasil (há quem diga que apenas no Brasil o Espiritismo é uma religião) e o Espírita Rick Medeiros um dos poderes do SBT .
Trata-se de um episódio muito engraçado que tem até duas versões (no Falando Francamente exibiram a segunda). A história gira em torno do sonambulismo de Seu Madruga que faz os seus pratos aparecerem no barril do Chaves, como os sonâmbulos não lembram o que fazem nem Seu Madruga nem o Chaves sabem o motivo do desaparecimento e do aparecimento dos pratos, respectivamente. Eis que Dona Clotilde sugere que é tudo obra de Espíritos Zombeteiros e resolve fazer uma Sessão(acho que é assim que escreve) espírita na casa de Seu Madruga (www.youtube.com/watch?v=0JuhrqUb1iU ). Depois de tudo esclarecido Dona Clotilde conclui que isso de espíritos zombeteiros é tudo uma bobagem e que só pessoas ignorantes poderiam acreditar em tal coisa. Cada um que tire as próprias conclusões e assista o episódio (www.youtube.com/watch?v=b68U6e6lQnw ) .
Falei tanto de Chaves e quase que não falo da Filosofia. Bom na verdade esse é o único assunto em que a Filosofia é menos complexa. O que provavelmente não aconteceu com os episódios do Chaves, aconteceu com os escritos Filosóficos perdidos, grande parte deles foram perdidos por incendios, e muitos desses escritos perdidos foram incendiados pela Igreja por contrariarem suas verdades, junto com toda uma cultura pagã.


Links
www.chespiritobr.com/mundo/clubedochaves/perdidos.htm


sábado, 3 de janeiro de 2009

Os Sofistas de salto alto (Além da aritmética)


"Só me enganei uma vez em toda minha vida, quando pensei estar enganado"
Professor Inocêncio Girafalles
"Enquanto tiverem livros nas mãos serão pessoas honradas, serão gente de bem! Em outras palavras...enquanto tiverem um livro nas mãos, serão como eu!"Tibruichhh (barulho dos livros sendo jogados ao chão pelos alunos , após esse discurso do professor)

Vou falar agora de um especial personagem , especial para mim particularmente.Trata-se do professor Girafalles. Mas por favor peço que não caçoem dele por aqui, nos inúmeros comentários que as inúmeras 2 pessoas que lêem esse blog (não) fazem. Talvez a vocês o trabalho dele pareça tolo, inútil, comum, vulgar, sim, concordo! Mas é que devem levar em conta que se trata de um indivíduo sem nenhum preparo. De um pobre-diabo que é ridicularizado por um bando de meninos, de um pobre infeliz que tem toda sorte de apelidos.Deixe-me continuar... de um joão ninguém, bom...acho melhor parar por aqui... não quero elogiá-lo em público , pois tenho a estranha sensação de que estou falando de mim mesmo. Não sei o porque, ou até sei mas não vem ao caso.
Bem a aritmética...(me interromperam aqui enquanto escrevia isso, é impressionante!) digo, o termo filósofo foi utilizado pela primeira vez por pitágoras, pensador matematicista do sec VI a.C. para diferenciar os sofistas dos verdadeiros filósofos, os sofistas ensinavam os chamados sofismas, que são premissas verdadeiras levando a conclusões falsas. (Ex. Lima é capital do Peru, lima é uma fruta, logo a capital do Peru é uma fruta ou o clássico Deus é amor, o amor é cego, logo, Steve Wonder é Deus , acho que pulei algo mas a idéia é essa) Esses exemplos são bem exagerados, mas a idéia era a de ensinar a habilidade para discursos primorosos, porém, vazios de conteúdo, mais ou menos como os políticos fazem. Apesar disso e das críticas contundentes feitas pelos filósofos da antiguidade devemos reconhecer sua importância para várias coisas, como a democracia, na medida em que aceitavam a relatividade da verdade.Tanto que hoje em dia, a aceitação do "ponto de vista alheio" é a pedra fundamental da democracia moderna.
Esse ponto da relatividade da verdade é bastante discutido em filosofia hoje em dia.Muito se fala que essa idéia do relativismo gerou uma decadência na filosofia de hoje, e é bastante comum se ouvir que a filosofia tem virado um vale-tudo, já que a verdade sendo relativa, qualquer discurso é só mais um discurso, qualquer interpretação é só mais uma em meio à tantas outras, qualquer filosofia são apenas idiossincrasias (opiniões próprias) . 
Mas creio que me desviei do tema, pois o que isso tem a ver com o Tobogã de Salto Alto*? Digo com o nosso Mestre linguiça? Digo digo com o professor Girafalles? O que de semelhança há entre os sofistas e o querido professor? Talvez na-da.
Na verdade a crítica mais costumaz feita aos sofistas por Platão é o fato de exigirem pagamento por seus serviços. E é muito engraçado quando ouvimos um professor na universidade, animado e empolgado quando fala sobre essas críticas de Platão feitas aos Sofistas, pois trata-se de um professor que é pago pela universidade (e bem pago em muitos casos).Um professor não dá aulas, ele as vende! Platão era rico e possuidor de escravos, por isso podia muito bem se dar o luxo de ensinar de graça. Seria esse um sofisma, justo de um filósofo? Um elitismo dele, ao concluir-se daí que só os ricos possam ensinar filosofia?
Nosso querido professor, por outro lado, não se envergonha ao dizer que desconta os buquês de flores que dá na conta da escola.
Meu objetivo não é ser relativista aqui mas é certo que há várias opiniões e interpretações a respeito dos sofistas (muito do que eles escreveram foi perdido, e o pouco que temos de seus escritos vêm dos seus detractores, com exceção de alguns fragmentos dos próprios sofistas). Primeiro há os que os defendam falando de sua contribuição para a humanidade, depois os que os chamam de prostitutas do saber (incluídos nesse grupo alguns professores de filosofia e o próprio Platão é claro), já que vendiam conhecimento. E há ainda os que vem de forma positiva a prostituição do saber, não no sentido de se vender o saber mas em ver nos prostíbulos e na "ideia de prostituição" uma fonte rica de sabedoria. Como disse o libertino Diderot: "Meus pensamentos são minhas putas"(tirem as crianças da sala), com isso ele queria dizer que se deve fazer de suas ideias suas prostitutas, fazer da filosofia uma libertinagem do espírito, relacionando-se com todas as ideias, com todas as teses e doutrinas sem se apegar. 
Por outro lado a própria palavra sofista quer dizer sábio(depois passou a significar impostor devido às críticas de Platão), filósofo por sua vez quer dizer amante da sabedoria. Os sofistas usam da retórica para dizer que sabem conversar sobre todos os assuntos,mas quando são questionados, vemos que na maioria das vezes não sabem ao certo do que falam. Isso está na essência da filosofia quando Sócrates faz seus interlocutores se darem conta de sua própria ignorância. Seria como ir ao cinema com um amigo , e ao falar da coragem do herói do filme ser questionado sobre o que é coragem? Você diria provavelmente que é não ter medo, e ele continuaria perguntando: Mas e se pegarmos alguém com medo de altura, vendar os seus olhos e depois levá-lo a um precipício, ele seria um corajoso por não ter medo? 
Por fim podemos fazer a analogia com o Professor sendo o Sofista , que desconhece sua ignorância , que diz que nunca se engana e faz parecer que sabe tudo. As vezes porém ele é surpreendido:

Girafalles: -Os herbívoros comem vegetais, os carnívoros carne, Chaves qual é o animal que come de tudo?
Chaves: -Ricos 


* Piada adaptada ao Português, aliás muito bem adaptada, no original é tobogã de Saltillo , cidade Mexicana em que nasceu o ator que interpreta o professor Girafalles, Ruben Aguirre.

http://pt.wikipedia.org/wiki/Sofista
http://www.coladaweb.com/filosofia/soc.htm
http://opensadordaaldeia.blogspot.com/2008/03/odium-fati-emil-cioran-hiena-pessimista.html
http://antoniocicero.blogspot.com/2007/12/o-relativismo-e-modernidade.html

quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

Seu Madruga, Jaiminho e o Direito a Preguiça

"Não existe trabalho ruim, o ruim é ter que trabalhar."
Seu Madruga
"É que eu quero evitar a fadiga"
Jaiminho, o carteiro
" O homem é o único animal que precisa trabalhar"
Immanuel Kant

O Direito a preguiça trata-se de um livro, na verdade um panfleto com o mesmo nome, escrito por Paul Lafargue. O título chama bastante a atenção de qualquer um e aposto que chamaria a atenção dos nossos dois queridos personagens: Seu Madruga e Jaiminho. 
Os dois representam diferentes perspectivas no que tange a preguiça. Explico (tento) : enquanto Seu Madruga é a personificação do que pretende o livro (diria até que é contemporâneo do autor tamanha a sua aversão ao trabalho), na sua defesa à preguiça, tanto no seu modo de vida como em frases que diz, fora o fato de Lafargue ter escrito o livro em 1880 (portanto é um pouco mais velho que Don Ramon) daí eles viram mesmo contemporâneos. Por outro lado Jaiminho é diferente: podemos deduzir que sua preguiça (representada no repetido refrão:-"É que eu quero evitar a fadiga"), provém do seu trabalho que se faz cada vez mais cansativo - pois além do já puxado trabalho de carteiro ele tem de carregar a bicicleta que lhe dão - já que não sabe andar nela. A bicicleta que poderia evitar tanta fadiga, acaba gerando mais fadiga. Diante disso Jaiminho representa o que é descrito no livro sobre o que o trabalho faz ao proletariado: os envelhece precocemente, debilita e embrutece. Resumindo: Seu Madruga é preguiçoso de nascença, Jaiminho por maioria de votos.
Mesmo com a terceira revolução industrial: robôs, mecanismos automáticos, cibernética, o trabalho não diminuiu , tudo poderia ser melhor mas o que se vê é desemprego para muitos e horas extras para outros.Se falarmos em números veremos como anda a situação brasileira hoje no Brasil (sic): foram criados aproximadamente 8,6 milhões de novos empregos nesses últimos anos , a maioria com salários em torno de 500 a 700 reais , em contrapartida algo em torno de 2 milhões de empregos deixaram de existir , estes empregos com salários de 900 a 1200 reais. Além disso, dessas pessoas que estão empregadas cerca de 74% trabalha em dois empregos, ou seja, a pessoa que trabalhava 8 horas por dia ganhando um salário de 1200 reais , agora trabalha em dois empregos para manter o que ganhava antes. 
Em meio a tudo isso reinvidica-se o direito ao trabalho , mas e o direito a preguiça? Como diria Seu Madruga a própria palavra já diz (!), não esqueçamos que "trabalho" deriva do latim "tripalium". "Tripalium" era um instrumento de tortura, usado para torturar escravos. Dito assim parece que o livro é totalmente anti trabalho, porém é preciso situa-lo melhor. Na época em que foi escrito, os trabalhadores nas oficinas parisienses (isso é na França que é capital de Paris digo..ops) trabalhavam em média 15, 16 e até 17 horas, em péssimas condições de trabalho (a vida é labuta, disse a formiga!). Mesmo com essa situação muitos operários estavam convencidos de que o trabalho em si mesmo era uma atividade dignificante e benéfica.
Hoje em dia, há em certos lugares na Europa a ideia de um tempo para descanso no trabalho, geralmente depois do almoço permitem que os empregados descansem. Isso funciona bem por lá mas e aqui no Brasil? No México? Vamos pegar o exemplo dos boias frias daqui , se fosse dito a eles que depois do almoço poderiam descansar muitos provavelmente não aceitariam, pois eles ganham de acordo com o que produzem, logo, não podem se dar o luxo de descansar.
Na verdade a ideia de ócio no livro-panfleto vai além, Lafargue, 120 anos atrás, já alertava os trabalhadores para o fato de que a jornada de trabalho poderia ser substancialmente reduzida (segundo ele, poderia ser de apenas três horas), caso os avanços tecnológicos fossem usados em benefício dos que trabalham e não em proveito dos que lucram . Ele assegura que os trabalhadores não conseguirão convencer os patrões a investirem em inovações tecnológicas se trabalharem muito. Ele diz: "É porque vocês trabalham muito que as máquinas industriais se desenvolvem lentamente". E fala que eles só obterão mudanças rápidas no aperfeiçoamento das máquinas se, ao contrário, não trabalharem muito. Percebemos aí que se o trabalhador é responsável por isso, também há a possibilidade de mudança pelas mãos do próprio trabalhador.
É evidente que o trabalho, respeitando-se a necessidade humana de ócio e tempo livre, é uma atividade imprescindível a todos. Mesmo nosso querido Madruga tem consciência disso, e o mais engraçado é que mesmo quando trabalha ele o faz por preguiça, como quando diz que arrumou um emprego devido a uma frase que ouviu na TV:" - Não existe nada mais trabalhoso do que viver sem trabalhar", ou seja, o emprego lhe serviu para ter menos trabalho do que teria se não trabalhasse.

http://www.culturabrasil.pro.br/direitoapreguica.htm
http://pt.wikipedia.org/wiki/Paul_Lafargue
http://pt.wikipedia.org/wiki/O_Direito_%C3%A0_Pregui%C3%A7a
http://www.culturabrasil.pro.br/Koren.htm

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

Diógenes e Chaves, Vida de Cão e Peludinho.

"A virtude de bem viver está nos princípios morais, minha filha."
(Seu Madruga)

"Eu não moro no barril, eu só entro no barril porquê... bem, você sabe... pra... "
"Só por esporte."
"Isso!"
(Diálogo entre Chaves e Kiko)

A primeira coisa que viria a mente de qualquer estudante de filosofia que se propusesse a escrever sobre Chaves e a filosofia provavelmente seria Diógenes, o cínico.

O Cinismo foi uma corrente filosófica fundada por um discípulo de Sócrates, chamado Antístenes, e cujo maior nome foi Diógenes de Sínope, que pregava essencialmente o desapego aos bens materiais e externos.

O termo passou à posteridade como adjetivação pejorativa de pessoas sem pudor, indiferentes ao sofrimento alheio.
(quem duvida que vá a Wikipédia)
A maior das coincidências entre os dois é que Diógenes tinha como "residência" um barril ou um Tonel (aqueles compartimentos de colocar vinho que muitas vezes aparecem em desenhos animados), aliás os dois não, pois é de conhecimento de todos que o garoto Chaves não vive em um Barril ele mora com الملك منصبه فخري و رن و واحدئيس الوزراء هو الحاكم الفعل , aliás esse é um segredo que perdura por todo seriado, e eu revelando aqui em primeira mão, não precisam agradecer. Mas o caso é que sempre que alguém pergunta , antes de alguém o cortar(sempre acontece isso) ele sempre nega que mora em um barril, e termina perguntando como alguém pode viver em um barril. Só perguntando a Diógenes mesmo, que só passou a viver em um barril porque quando ordenou que construíssem uma casa , não foi atendido, daí ele teve que improvisar uma moradia com o barril, creio que Chaves fez o mesmo improvisando um esconderijo que é a verdadeira função do barril no seriado.
No livro o mundo de Sofia de Jostein Gaarden a origem do Cinismo é definida numa passagem da vida de Sócrates: estando este a passar pelo mercado de Atenas, teria exarado o comentário:

Vejam de quantas coisas precisa o ateniense para viver

Ao mesmo tempo demonstrava de que de nada daquilo dependia. De fato, o que o filósofo propunha era a busca interna da felicidade, que não tem causas externas - aspecto ao qual os cínicos passaram a defender, não somente com palavras, mas pelo modo de vida adotado.

A representação de Diógenes no barril torna-se um símbolo do pouco que é suficiente para viver. Lógico que não estou dizendo que obrigatoriamente o Roberto Gomez Bolaños (criador do Chaves e próprio Chaves d'oh,ops isso é dos Simpsons) tinha em mente Diógenes ao criar o personagem , aliás nenhumas das idéias aqui expressas quer desvendar o que Chespirito tinha em mente ao criar seus personagens e o seriado. Mas toda essa idéia vai de encontro do menino pobre que vive com pouco e mesmo assim vive.
O termo “cínico” vem da palavra grega kuón, que significa “cão”, provavelmente por causa da identificação de Diógenes com os cães.Embora há quem diga que o nome originou-se do local onde Antístenes teria fundado sua Escola, o Ginásio Cinosarge.Não sei porque simpatizo mais com a primeira hipótese.
Cão ou não Diógenes ia bem além de brincar de dar mordidinhas, afrontando os costumes indo a praça, como se dizia , prestar suas homenagens a Deméter e Afrodite, e ainda com a mão ativa, dizer: "Quem dera eu poder matar a fome só de esfregar a barriga" (Fonte: Times new Roman digo , Arqueologia dos Prazeres Fernando Santoro) .

Ao contrário da acepção moderna e vulgar da palavra para o cinismo, o objetivo essencial da vida para os "cínicos" era a conquista da virtude moral, que somente seria obtida eliminando-se da vontade todo o supérfluo, tudo aquilo que fosse exterior. Defendiam um retorno à vida da natureza, errante e instintiva, como a dos cães.

Afirmavam que dispunha o homem de tudo que necessitava para viver, independente dos bens materiais. A isto chamavam de Autarcia (ou a variante, porém com outra acepção mais difundida, Autarquia) - condição de auto-suficiência do sábio, a quem basta ser virtuoso para ser feliz. O termo grego original é autárkeia - significando auto-suficiência. Além dos cínicos, foi uma proposição também defendida pelos estóicos.

Desacredita nas conquistas da civilização, e suas estruturas jurídicas, religiosas e sociais - elas não trariam qualquer benefício ao homem. Sendo auto-suficiente, tudo aquilo que naturalmente não é dado ao homem pelo nascimento (como o instinto), não pode servir de base para a conceituação da ética. Este pensamento pode ser encontrado no mito do "bom selvagem", de Rousseau.

(quem não acredita retorne a Wikipédia)

Encontramos assim outra semelhança entre os dois, pois para um menino de oito anos Chaves é por demais independente.

A vida do Cínico para Diógenes se baseava sobre o exercício e sobre a fadiga, considerados como instrumentos necessários para viver feliz,para saber dominar todos os prazeres e para alcançar a plena liberdade. Ou seja a doutrina cínica era "antiJaimista" promovendo a fadiga e não evitando-a como faz (tenta) o nobre carteiro.
Conta-se que no calor do verão Diógenes rolava na areia e no frio se abraçava ao mármore gelado, tudo isso pela independência e autarquia radical até ante as intempéries da natureza.
Quando perguntavam à Diógenes o que tinha feito para que o chamassem de cão, ele respondia:

"Costumo fazer festa para quem me dá alguma coisa, rosnar para quem me rejeita, e cravar os dentes nos crápulas." (Peludin din din...)


Vejo "Diógenes em Chaves" e até "Chaves em Diógenes" , encerro com esse diálogo que mostra Chaves em Diógenes:

Estava Diógenes jantando seu costumeiro prato de lentilhas, quando Arístipos se aproximou. Arístipos, de Cirene, era também filósofo, adepto do prazer como único bem absoluto na vida. Para poder levar uma vida confortável, vivia sempre bajulando o Rei.

Disse, então, Arístipos a Diógenes: —Se aprendesses a bajular o Rei, não precisarias reduzir tua alimentação a um prato de lentilhas.

Por sua vez, Diógenes retrucou: — E tu, se tivesses aprendido a te satisfazeres sempre com um prato de lentilhas, não precisarias passar tua vida bajulando o Rei.

Pode ser que seja coincidência, ou pode ser que não. O mais correto é "quem sabe".

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Do mau humor da filosofia

"Sabia que lá na rua tem um palhacinho que dizem ser muito simpático?" Seu Madruga
"Mas é que o senhor me diverte mais..." Chaves

Não tenho muita certeza quanto a aceitação dos livros do William Irwin no meio acadêmico. William Irwin, diga-se de passagem, além de lecionar filosofia, contou com a ajuda de muita gente para escrever seus livros "e a filosofia". Não que eu seja uma coisa que se diga :" - Minha nossa que maravilha de filósofo ". Não mesmo (!), e não quero dizer que sou melhor que ele porque estou escrevendo sozinho, na-da disso, o que quero é levantar outros aspectos da questão: por que não Chaves e a filosofia?

Apesar da questão ter sido respondida, devemos levar em conta a resistência de certas pessoas ao se levantar o assunto filosofia de uma maneira não muito tradicional. Muitas vezes creio que essas pessoas tem razão, não vou citar o nome do Fantástico aqui mas existe um programa dominical que passa todos os domingos na rede Globo que teve a iniciativa de fazer um quadro (Ser ou não ser) em que se abordava ou se pretendia abordar questôes ligadas a filosofia, pois sim, e o que se viu nesse quadro foi algo extremamente superficial. Não estou livre de cair no mesmo erro, muito pelo contrário. E já peço desculpas, foi sem querer querendo, fazer o quê? Mas voltando, o caso é que o programa global conseguiu picos de audiência, e se houve críticas negativas ao programa elas não surtiram efeito.
Bom, mas e o mau humor do título , bem... é só um título, não dá pra deixa-lo em branco, e é um título de efeito, então falou pessoal, digo, bom... a idéia do título é para aqueles que ao se depararem com "Chaves e a filosofia" irão torcer o nariz sem nem ao menos ler o conteúdo.
É certo que a filosofia tem esse lado, de se levar a sério de mais e consequentemente a maioria dos filósofos segue por esse caminho, isolando-se em sua torre de marfim acima de todos enxergando "o que está além". É célebre aquela anedota sobre Thales de Mileto (filósofo da antiguidade) que está andando e olhando para o alto filosofando, até que não vê e cai num buraco, nisso uma simples camponesa de nobre coração que vai todos os dias coletar lenha ri e diz: - Ai esses filósofos.
A filosofia torna muitas vezes as pessoas sérias demais, o humor da filosofia na maioria das vezes se faz pela melancolia. Talvez Sócrates tenha sido mais engraçado e irônico do que nos é contado. O caso é que:
“nem sei se nada sei” Metrodoro de Quios.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Por que não Chaves e a Filosofia?

Em meio a tantos "e a filosofia" (Simpsons e a filosofia, Harry Potter e a filosofia, Seinfeld e a filosofia e o impressionante Metallica e a filosofia), garanto que alguém já pensou e por que não Chaves e a filosofia? Pelo menos eu já pensei. Primeiro é preciso responder essa pergunta ou pelo menos tentar: Essa série “e a filosofia" foi feita por William Irwin, natural dos Estados Unidos , e é indiscutível que lá em seu país as séries de televisão são uma tradição, portanto acho difícil que Chaves e a filosofia saia tão cedo, porque em meio a tantas séries e tanto material para livros acho difícil que um livro sobre um seriado Mexicano possa ser publicado.Não sei o quanto Chaves é assistido por lá e apesar da referência do criador dos Simpsons Matt Groening tenho certeza que lá o nosso querido seriado não é a preferência nacional.
Não tenho a pretensão de escrever um livro, não só pela visível "semi-analfabeticie" mas principalmente porque sou um cidadão consciente (embora não seja fanático) e um cidadão consciente jamais permitiria a derrubada de árvores. Apesar disso tenho que admitir que em meio a tantos "e a filosofia" não seria de todo mal que escrevessem um livro sobre esse verdadeiro representante do folclore nacional, um legítimo representante da honradez humorística, não escreverem sobre ele deveria gerar um processo de danos a nação! (tá bom me empolguei) , claro que estou me referindo ao programa Chaves e não aos vendedores de balões. Mas o motivo dessa sentida ausência se deve ao que já foi descrito antes, espero que essa idéia,de um legítimo Chavesmaníaco , além do conteúdo que escreverei em breve possam servir para que vejamos nas prateleiras das livrarias um belo exemplar de "Chaves e a filosofia", nem que seja com papel reciclado e com outro nome (já disse lá atrás que não sou fanático). Como todo esteriótipo de filósofo sou bastante desligado de questões "mundanas" como por exemplo questões jurídicas , portanto posso ter que mudar o nome do blog (isso se alguém ler isso aqui) , a ajuda de qualquer discípulo daquele advogado , o Pedimaisum (Perry Mason!) será bem vinda.

sábado, 13 de dezembro de 2008

Em construção

Em breve textos disponíveis, estou aberto (em sentido figurado) a sugestões.