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domingo, 30 de novembro de 2014

Menos pseudo intelectualidade mais hermeneutica

Anda circulando por aí após a sentida morte do nosso querido Chespirito, um texto que no título remete ao tambem genial Cantinflas mas que acaba por pedir menos "exaltaçoes" e homenagens ao nosso nobre seriado. A argumentaçao parte do principio que exaltar Chaves eh * sintoma da ignorancia com a cultura dos países latino americanos (sendo que o seriado nao soh eh parte da cultura latino americana como possui um sucesso retumbante nao só no Brasil mas em vários países da América Latina, e o engraçado é que uma parte das citaçoes de obras feitas no texto para mostrar a ignorancia dos brasileiros da cultura latino americana eram de autores espanhois). Depois disso vem uma critica a adaptaçao do nome no Brasil de Chaves que em espanhol eh chavo, pois sim, além disso nao ter pertinencia nenhuma ao se criticar o seriado qualquer pessoa mesmo sem intimidade com o espanhol entende que Chaves nao eh sobrenome e sabe o que quer dizer chavo (garoto), lembro ateh de Celso Portinholi explicando essa complicada questao linguistica, segundo a autora do texto, no seu programa dominical que passa todos os domingos "domingo legal". 
Os restantes das críticas vai daí pra pior. No geral se nos esforçarmos podemos ver charutos ou outras coisas onde nao ha. Como diz Freud as vezes um charuto é so um charuto, da mesma forma as vezes um seriado é soh um seriado, enxergar machismo e homofobia é uma questao de interpretaçao (ou falta dela) , pois um seriado nao tem obrigaçao de retratar um mundo perfeito e ideal, alias boa parte das criticas em seriados é feita satiricamente, justamente nao retratando o ideal. 
Dessa ideia de interpretaçao que vamos falar de hermeneutica que na filosofia trata exatamente da questao da teoria da interpretaçao e isso se aplica a muitas coisas. Desde criticas a biblia como por exemplo criticar a impossibilidade da construçao de uma arca, ou mesmo criticar a mitologia porque eh cientificamente impossivel se comprovar a existencia real dos deuses descritos nas mitologias, passando por varios outros possiveis textos com criticas parecidas. Ou seja, a questao é que nao podemos interpretar textos miticos usando como base a ciencia, eh preciso considerar o contexto e efetuar uma leitura adequada. O proprio blog eh um exercicio hermeneutico , praticamente uma "exegese filosofico-chavistica" que busca interpretar conceitos filosoficos se utilizando do nobre seriado mexicano, diferente de uma critica que parte de uma interpretaçao literal.        
Por fim, eh preciso de parametros adequados para se criticar se nao a critica fica sem fundamento , achar o texto fraco , as piadas sem graça eh algo diferente de criticar defeitos de uma trama ficticia com personagens irreais, pois sendo assim nao só o proprio Cantinflas poderia ser criticado de superficial como Seinfeld que tem o personagem Kramer como folgadao e desempregado, Simpsons que possui um pai obeso e completamente relapso etc. O caso eh que o seriado nao é intocavel mas gostar dele nunca serah motivo de vergonha seja pra adultos ou crianças.

*o texto vai sem acentos , culpa do teclado que ora acentua ora nao.

ps - texto escrito nas coxas (como sempre) e sem muita revisao.

sexta-feira, 28 de novembro de 2014

Luto (!)

Blog em luto a Roberto Gomes Bolanos criador do seriado Chaves.

quinta-feira, 9 de outubro de 2014

Cada um pensa naquilo que lhe faz falta (Feuerbach e a ideia de deus)

* Essa postagem é uma que está guardada há algum tempo e estará no ebook, fica de brinde e amostra do que vem por aí. O livro já está pronto e em fase de acabamento, finalmente (!!) Florinda Mesa estará cuidando da revisão e pede que não a pressionem. Em breve teremos Chaves e a filosofia em ebook, aguardem...



"Cada um pensa naquilo que lhe faz falta? É por isso que eu não penso em nada"
(Kiko praticamente um mestre Zen)

Pois sim, a frase que abre o texto apesar de dizer sobre o pensamento ("cada um pensa...") é uma interessante maneira de entender o conceito que Feuerbach tem de deus. No episódio Chaves começa dizendo a frase que é repetida sem parar por Kiko também. Se pararmos para pensar poderia ser repetida ad nauseum, isto porque cada um com certeza almeja algo, ou até quer melhorar algo, ou mesmo tem vontades próprias que não estão satisfeitas. O homem por ter uma vida com consciência , vive essa insatisfação e "pensa" sobre ela, ou seja esse "pensar" acaba sendo fruto de uma insatisfação comum a todos em algum aspecto, todos no geral somos imperfeitos. Talvez uma vida bem vivida seja uma vida livre desses pensamentos baseados na falta como o próprio Kiko propõe. Mas será que estamos presos a esse pensar da mente humana?
O caso é que a questão no momento é mais Feuerbach. Lembro da frase dele ser dita em voz baixa pelo meu professor de colégio, que devia julga-la forte para adolescentes. Era sobre o homem ter criado deus e não o contrário mas a coisa com Feuerbach não para por aí. Ele coloca a ideia de deus exatamente como na frase , como falta, ou seja , o ser humano imperfeito projeta uma ideia de deus baseada em si mesmo. Sendo assim o homem imperfeito, corrupto e um mero grão no universo projeta um deus perfeito, forte e grandioso, justo e bom. Não há uma negação de deus num sentido do século XVIII ou como Marques de Sade e cientistas da época que julgavam a inexistência por não haver aparições no telescópio, Feuerbach não busca provar a inexistência de deus, na-da disso mas sim provar que deus ou essa ideia de deus é fruto do próprio homem e sua necessidade de, digamos...pensar naquilo que lhe faz falta (!)  
Podemos pensar talvez que a resposta de Feuerbach para a questão de um ser divino também sirva para esses dilemas humanos e o quanto de almejar beleza e afins pode ser uma projeção da mente , em busca de algo exterior que na verdade representa algo interiorizado.

sexta-feira, 12 de setembro de 2014

Chaves, Felicidade e Filosofia



"Eu, mesmo sem um centavo no bolso, sempre trago no rosto um sorriso franco e espontâneo. Olha!"
"Eu dou risada, da Vila do Barril...eu rio dos meus próprios problemas, eu rio de mim mesmo, sabe?"
(Seu Madruga)

"Hum, qualquer um ri"
(Dona Florinda)

É com grande felicidade que volto com Chaves e a Filosofia, agora falando...da felicidade. Antes de todo discurso atual de felicidade, de propagandas de refresco até mesmo instituições bancárias, a filosofia de alguma forma sempre se perguntou sobre a felicidade ou até mesmo sobre uma vida feliz. Seja na temperança, pensando o hedonismo ou até mesmo com suspensão do remorso e aceitação de si. O caso é que não foram só Aristóteles, Epicuro e La Mettrie mas muitos outros pensaram a felicidade na filosofia. Inclusive a frase chavística que abre o post fala sobre o sorriso, Demócrito era um grande adepto dessa filosofia , porém há uma importante questão sobre a felicidade e vai de encontro ao que Dona Florinda fala.
Hoje em dia não tanto "qualquer um ri" ou é feliz mas principalmente qualquer um defende a felicidade. Não seria hora de questionar isso ? * Quando um páis (Butão) inclui uma política de felicidade, quando inúmeras propagandas querem associar seu produto a felicidade , quando bancos contratam filósofos para motivar seus funcionários, quando se fala tanto em felicidade no trabalho, cabe o questionamento: ser feliz pra quê? 
No caso do trabalho, o que essa ideologia de felicidade esconde? Ser feliz no trabalho e fazer greve ao mesmo tempo é possível? Ser feliz e buscar melhores condições de trabalho? Quando se cobra sorrisos no ambiente de trabalho ao invés de se buscar saber o porquê do funcionário não estar sorrindo, o que isso nos diz sobre a sociedade em que estamos vivendo?
Seu Madruga pode estar certo em sorrir frente as adversidades e resistindo bravamente aos golpes que a vida lhe dá, porém a felicidade propagada em todos os meios hoje em dia está longe de ser espontânea e franca...

* A postagem é inspirada nesse texto do amigo Alex Castro (http://papodehomem.com.br/a-felicidade-e-uma-prisao/) que vem a minha cidade de Palmas para seu encontro-palestra-reunião-indefinível (http://alexcastro.com.br/encontros/prisoes-palmas/) , aliás nada mais filosófico que algo indefinível, vale a pena conferir para saber por si mesmo do que se trata. quem for daqui, puder e quiser ir é só se inscrever; quem não quiser, não gostar da ideia ou qualquer coisa, pode falar mal também, talvez até desperte mais curiosidade :D

ps - O livro sobre o blog ainda não foi entregue a revisão mas está quase, com certeza sairá tudinho de uma vez no fim do ano, nem que seja em caráter experimental.  

quinta-feira, 14 de agosto de 2014

Madruguinhas, massacotes e afins (Peter Singer e a questão dos animais)



"EN ESTA BESIDA ESTAN PROIVIDOS LOS ANIMALES..."
(Anúncio escrito por Seu Madruga à pedido de Dona Florinda)

“Este livro trata da tirania de animais humanos sobre animais não-humanos”
(trecho extraído do livro de Peter Singer: Libertação Animal)


Já escrevi sobre Ética por aqui e agora a questão da Ética se estende aos animais na figura do filósofo australiano Peter Singer que faz reflexões éticas sobre a questão dos animais.
No seriado sabemos que o senhor Barriga é da sociedade protetora dos animais e ele mostra essa sua faceta defendendo incrivelmente o não extermínio dos ratos no restaurante de D. Florinda. Peter Singer não chega tão longe e de certa forma seu livro é criticado por defensores dos animais justamente por ser muito brando. Na verdade o seu livro libertação animal foi lançado em 1975 e seria o começo do pensar nos direitos dos animais. Essa é a questão que Singer coloca a respeito dos animais, uma reflexão ética que envolve se perguntar pelos direitos dos animais.
Apesar das criticas que sofreu Singer também critica as ações de grupos protetores dos animais muito mais voltadas para causas que possuem maior apoio popular e incentivo político , como por exemplo o resgate de cães abandonados. Inclusive o assunto é extremamente atual, não só no caso do resgate de cães mas também pelo recente filme planeta dos macacos, isso porque Singer discute o que ele chama de especismo, que seria um subjugar de seres vivos baseado no fato de serem de determinada espécie. A partir daí a questão ética colocada é justamente pensar se o ser humano infligir sofrimento a um ser de outra espécie seria ético. Há vários argumentos no sentido de se perguntar sobre qual seria a necessidade disso. Há necessidade de proporcionar sofrimento a outro ser vivo? 
Há toda uma argumentação, exemplos na própria filosofia de filósofos que defendiam que os animais não sofriam (Descartes) ou que diziam que eles eram simples meios para um fim (Kant) , há uma historiografia que analisa desde a era pré cristã , passando pelo iluminismo - onde dada uma questão anti clerical a questão dos animais foi mais levada em consideração.
Mais do que o simples apontar de dedos a quem come ou não carne o exercício ético mais importante para Singer seria pensar no porquê de comermos os animais. Singer não pensa tanto na morte dos animais (ponto de desacordo com os ativistas pelos animais). Segundo ele, avanços surgiram em várias direções da vida humana, mas será que não seria necessário avançar eticamente pensando na questão da vida dos animais? 
É fato que o ser humano come carne mais pelo paladar, ao custo do sofrer de um animal em um processo de sofrimento que vai desde sua criação. Da mesma forma há o argumento que o ser humano se beneficiaria e evitaria seu próprio sofrimento revendo a forma de tratar os animais , pois na perspectiva do agronegócio a produção de animais envolve o consumo de muitos grãos, grãos estes que alimentariam muitississississímas pessoas. Isso sem contar com os danos ambientais que a pecuária proporciona (!)
Por fim mais do que se revoltar com proibições de cachorros em vizinhanças, a questão é que antes de tudo muitos animais estão proibidos de uma existência livre, tendo sua existência condicionada e controlada por uma outra espécie.  .

Links
http://pt.wikipedia.org/wiki/Peter_Singer
http://zh.clicrbs.com.br/rs/entretenimento/noticia/2013/08/as-ideias-de-peter-singer-sobre-a-libertacao-animal-4245784.html

ps - Em tempo, a famigerada piada de que a planta "sofre" mais, porque ao contrário do animal que pode fugir do abate ela fica lá parada sem reagir, pode estar correta. Daí se poderia pensar no direito das plantas, inclusive no manejo de agrotóxicos. http://veja.abril.com.br/noticia/ciencia/a-inteligencia-das-plantas-revelada



pstu - faltam apenas 3 artigos para "fechar" o livro e entrega-lo a revisão, os detalhes sempre são demorados mas creio que o ebook sairá em breve, obrigado a todos que divulgam e apreciam o blog, Chaves, e a filosofia, não necessariamente nessa ordem ou nessa mesma ordem, enfim, obrigado. 

quinta-feira, 7 de agosto de 2014

"O ser do Cente"

" O nada nadifica" (Heidegger)


Pois sim, antes do ebook sair vamos continuar com as postagens, embora elas continuarão depois do ebook (!) até segundas ordens. Pra isso convoco e conjuro um complexo conceito filosófico de um filósofo relativamente atual: Heidegger. Pode parecer estranho falar em "conjurar" (e de fato o é), mas para quem já leu ou lê Heidegger faz todo sentido, dado o seu estilo de escrever cheio de conceitos, linguagem, palavras-conceitos,termos gregos etc. Enfim...bem ou mal é um filósofo voltado a universidade e estudado seriamente pela academia em geral. Eu pretendo (com toda cara de pau do mundo) traze-lo para o exterior dos muros de faculdades, fazendo o de sempre- uma relação com Chaves e a filosofia- parodiando o conceito de "ser do ente" em Heidegger com o famoso "Cente" chavístico, a parodia como puderam ver no título ficou: "ser do Cente". 
Vamos ao conceito de ente de Heidegger. Ente é derivado do grego e é o particípio do ser, seria o que exerce o ser, uma substantivação do ser, aquilo que é. Teria por exemplo a mesma relação do verbo andar-andante. 
Agora para a questão do ser e do "ser do ente", mostro uma explicação com bastante filosofês na linguagem para sentir-se um pouco do drama do aluno de filosofia ao ser exposto a essa linguagem praticamente própria de Heidegger
"O Ser do ente é aquilo que se põe, que se manifesta no encobrimento e no desencobrimento do Ser. O Ser está para além do Ser do ente; nós só vemos o Ser do ente. Heidegger critica toda a filosofia ocidental desde Platão dizendo que essas filosofias metafísicas só se perguntaram sobre o Ser do ente, e nunca sobre o Ser. Sendo matéria de interrogação somente o ser-aí-no-mundo (daisein) e nunca o Ser enquanto É. O É é o são. O São do Ser que É enquanto existe. Para Heidegger o único ser que existe é o homem, e o resto são Ser do ente. As filosofias cristãs diziam buscar o Ser, mas apelavam para Deus. Deus era identificado com o Ser como um atalho, uma saída, mas na verdade se continuava somente na interrogação pelo Ser do ente enquanto sendo e não pelo Ser enquanto É. Heidegger via a necessidade de retomar os pré-socráticos, e ele se põe a pergunta de como seria possível fugir do pensar tradicional e voltar a pensar o Ser enquanto questionamento."
Se você não entendeu na-da está no caminho certo porque uma interpretação possível do que é o ser em Heidegger é exatamente isso: na-da (!) , não tem significado, não sabemos o seu significado. Ao mesmo tempo se analisarmos quem é "Cente" chegamos a mesma conclusão, não sabemos ao certo se é alguém que existiu, que foi inventado ,ou mesmo se foi alguém que existiu mas que foi inventado para se adequar a situação do momento. Não existe resposta certa.
As vezes em filosofia o que vale é o caminho em que é feito o pensamento e o caminho que o pensar percorre de maneira geral. Por mais abstrato que se pareça, o caminho do pensamento pode ser dos mais instigantes e as vezes não tão simples. Muitas vezes com a linguagem dizemos o que não pensamos, essa é uma bela questão Heideggeriana.  

domingo, 3 de agosto de 2014

Notícias (extra...extraaaa...)

Dessa vez os gritos de extra não visam enganar ninguém, são só para avisar que o projeto livro-ebook está se encaminhando melhor do que eu esperava e em breve será lançado. Agradeço a todos os que leem o blog (!) e convido a lerem o ebook com os posts organizados, revisados e alguns outros novos que estou acabando de escrever. Provavelmente já na semana que vem começa o processo de revisão e formatação que já não dependem de mim (estão nas níveas e delicadas mãos da fantástica Florinda Meza). Espero que gostem e apreciem o trabalho que começou desde 2008 despretensiosamente para figurar finalmente em um merecido livro sobre Chaves e a Filosofia , e zás e zás e zás!