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terça-feira, 13 de junho de 2017

Sente-se mal

As vezes diante dos infelizes fascismos diários defendidos por aí, desonestidades intelectuais, da falta de um mínimo de reflexão, de pensar, enfim, diante da imensa falta de humanidade, fica a dúvida aos que mostram que não estão tão adaptados...




sábado, 10 de junho de 2017

Não tem biscooitoo!


- Não temos biscoitos

A frase é comum no meio internético. Acompanhada também de uma pergunta, quer um biscoito? Geralmente a situação que acompanha a fala é a de alguém que supostamente quer prêmios seja por se comportar de maneira correta (não preconceituosa), seja por buscar aprovação de outras pessoas alheias e até contrárias aos seus interesses (não é muito citado mas o exemplo do trabalhador que faz discurso a favor de patrão e de seus interesses é bem visível).
Gostaria de dizer que na filosofia não temos biscoitos mas não sei dizer se isso é verdade. Aliás, não necessariamente quanto ao "ter biscoitos", e sim quanto saber se na filosofia não existem pessoas buscando e querendo aprovação. Vinte e cinco séculos de análise e podemos tirar muitos exemplos e contra-exemplos para provavelmente no fim não ganhar um mísero biscoito. Por exemplo, os próprios sofistas seriam exemplos de pessoas que "queriam biscoitos" , ao mesmo tempo se critica a noção de pretensa superioridade dos filósofos diante dos sofistas por não cobrarem por seus serviços ou mesmo por estarem acima de todos em uma torre de marfim de conhecimento. Eu mesmo escrevendo textos , estaria nessa busca por aprovação? Ou mais ainda , o receio que impedem muitos de escrever pela intensa auto-cobrança? Na academia de maneira geral enxergamos essa busca por esse produto farináceo? 
Na história da filosofia temos o período medieval (igreja), o período moderno (Estados) e o período contemporâneo que bem...não se sabe muito bem mas tem mais de um campo de atuação. Mesmo que contestável se os filósofos mais conhecidos do período medieval eram subservientes à igreja , não deixa de ser algo marcante no período. Duvido muito se eles se cutucavam, tal qual agora, falando entre si: "- Fulano só fala em favor da igreja, tá querendo biscoito só pode". Ou mesmo no período moderno:" - Maquiavel tá é atrás de biscoito."   
No episódio em questão Chaves se revolta pela pergunta incessante quanto aos biscoitos, talvez a triste realidade é que: não tem biscoito.
Outra perspectiva possível é que o filósofo , aquele que se dedica ao estudo da filosofia, na grande maioria das vezes está em uma posição de resistência. Contra o status quo, longe de qualquer promessa (inclusive financeira, diria até que principalmente) , questionando tudo e a todos, nesse ponto podemos dizer que apesar dos pesares, na filosofia não temos nem queremos biscoitos.       

terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

Wittgenstein e chaves

1 murio
2 pase
3 pastel
(se dona Florinda chegar vocês dizem que eu morri, se quem chegar for a nova vizinha diga que entre que estou esperando, agora se quem vier for a brux...digo a senhorita Clotilde vocês...tacam o bolo nela)


f → m
v → e
c → b



f ↔ m
v ↔ e
c ↔ b




Wittgenstein deu novo fôlego a filosofia através de sua contribuição para a lógica e linguagem. O exercício chavístico descrito acima (de numerar situações para cada possibilidade de ação diante dela), por mais atrapalhado que se tenha mostrado é um exemplo possível para talvez ilustrarmos. Existe por parte da lógica de Wittgeinstein a tentativa de representar a realidade de maneira a usar-se de uma notação possível se referindo a eventos que ocorrem e se verificam no real expressando um estado de coisas.
O problema no seriado foram os números representando relações que eram entre pessoas e ações, aí a relação foi feita por ordem de chegada.  A segunda notação (se e somente se) poderia dar um desfecho menos problemático ao pobre sr. Madruga ou mesmo a primeira (se , então) mas não haveriam surpresas. Na lógica não existem surpresas. 

segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

Você não viu por aí algum cachorro que possa vir a sujar as minhas calças?

"Sem sorte não se chupa nem um picolé de limão" (Nelson Rodrigues, dizem...talvez acerte por sorte) 

A questão da sorte aparece bastante na vida comum. Preciso admitir que passei por um período turbulento nesse começo de ano e eis que lembrei da frase do nosso querido professor que está no título. Em filosofia o conceito que mais aparece e é digamos...similar é o conceito de fortuna. Seja em Aristóteles em sua ética e poética, seja com os estoicos que visam superar a sujeição do homem a boa e má fortuna, até mesmo com Maquiavel que usa do conceito de fortuna e virtú para caracterizar um agir sábio no campo político.
Talvez não se dê tanta atenção ao que seria sorte enquanto algo tido como superstição mas que ela existe existe. Ou não? O mais preciso é quem sabe? 
Pois sim, muitas vezes e com certa razão o fenômeno é descrito como psicológico, ou seja, enxergamos padrões e tendemos a associar sorte ou falta dela levando em consideração eventos aleatórios.
De fato algo "moderno" no que se chama de modernidade e enquanto paradigma moderno se mostra no que se tem por "mecanicismo". O mecanicismo se pauta na ideia de que dado uma serie de fenômenos e dados que ocorrem segundo a lógica de causa e efeito, o poder científico cada vez mais inteirado das causas dos fenômenos poderia prever todos os acontecimentos futuros. Tudo seria uma questão de calcular, aprimorar o processamento de dados e assim chegar a resultados de previsão visto que estamos em um mundo mecânico,controlável e explicável.  Passamos de Newnton (querendo ou não porta voz desse paradigma mecanicista) até Einstein , de uma visão mecanicista passamos para uma visão "quântica" com novos problemas e questões, bem como muitas incertezas. Ao ponto que se proclama que a única maneira de se saber a hora exata é possuindo um relógio quebrado, pois só assim se saberá a hora certa duas vezes ao dia. Em outras palavras a visão mecanicista já não encontra resguardo. Se descobre que a natureza não pode ser reduzida a um mecanismo e prevista em sua totalidade.
Ao   mesmo   tempo   o   caos   ,   a   falta   de   sentido,   o   efeito   borboleta,   o movimento molecular aleatório, todo universo que se contrapõe ao mecanicismo nos deixa face a face com...a sorte. Sorte esta que se faz presente na figura do aleatório e da fortuna.
Transportando essa realidade para a vida trata-se de uma velha antítese entre týkhe (fortuna) e tékhne (técnica, arte ou ciência humana). Podemos pensar que todo esforço técnico para uma vida tranquila e controlada, com avanços científicos alcançados por meio da técnica para fugir de estar entregue à fortuna nos levaram ao paradoxo de se comprovar pela técnica (ciência) o "domínio da fortuna" em boa parte dos processos do universo. 
A grande pergunta seria como harmonizar esses elementos na vida humana týkhe (fortuna) e tékhne (técnica). A resposta do nosso querido professor no seriado foi não só aceitar como imaginar mais uma possível situação promovida pela fortuna (ou falta dela, falta de boa fortuna ter as calças sujas).
Por fim o que se viu no seriado foi que a situação imaginada se tornou realidade mas daí a ver uma relação entre imaginar e acontecer é uma outra história...  

http://www.seer.ufs.br/index.php/apaloseco/article/view/5150/pdf
http://cienciassociaisefilosofia.blogspot.com.br/2007/10/maquiavel-virt-x-fortuna.html
http://brasilescola.uol.com.br/filosofia/os-estoicos.htm

terça-feira, 3 de janeiro de 2017

O que é um autor? * (fofalhas da gentoca ou bastidores da "briga" entre os atores)

*Referência a um livro de Foucault baseado em uma conferência proferida pelo...autor, que leva o mesmo nome.

Uma questão interessante do seriado e que me veio a tona lendo textos e relatos do interprete do Kiko (Carlos Villagran) é a que inclusive é tida como motivo das brigas entre os integrantes do seriado: quem é o autor? Quem teria os direitos sobre os personagens do seriado, Roberto Gomes Bolanos criador de todo o enredo ou os atores criadores de toda a execução e podemos dizer aqueles que "dão vida" as ideias do autor? 
Villagran diz e quase sempre mostrando seus defei...digo atributos físicos que tudo em relação ao Kiko é dele, as bochechas , o jeito , o físico...e dispara que Bolanos o tirou do seriado, que Kiko era um sucesso e deixava Bolanos enciumado etc. Bolanos em sua autobiografia lançada em 2007 (disponível apenas em espanhol) desmente grande parte do que é dito por Villagran. Ele fala em sua autobiografia de toda a sua trajetória como escritor de comédias , seu início na publicidade e nos primeiros programas Bolanos cita como um ator reclamava com ele quando supostamente se dava mais destaque para um outro ator na cena. Segundo ele não havia uma preocupação em se promover e escrever as melhores falas para si mesmo quando ele Bolanos estava atuando. E de fato sua observação faz sentido quando vemos o seriado, não há uma centralização ou protagonismo de Chaves em relação aos outros personagens, muitas falas engraçadas vão para os outros atores. Outro ponto abordado na autobiografia é a saída voluntária (segundo Bolaños) de Villagran, não bastasse pedir pra sair tranquilamente Bolanos diz que Villagran pediu conselhos. E o único conselho de Chespirito foi que não ficasse preso a um único personagem, e ele completa na autobiografia que Villagran não seguiu seu conselho.
Pode parecer uma defesa exagerada de Chespirito mas é um outro lado pouco falado , até por haver pouco pronunciamento do próprio Bolanos que tenhamos acesso. A imagem que fica ao se ouvir Villagran é o de Bolanos como uma pessoa gananciosa e mesquinha. De fato na autobiografia ele admite que fez a exigência de que fosse citado como criador do personagem nas apresentações que Kiko fizesse porém ele diz que fosse cumprida a exigência não iria proibir o ator de ganhar seu pão com seu personagem. Houve problemas com a Francisquinha (Maria Antonieta de las Nieves) também quanto aos direitos autorais. Quanto ao Seu Madruga (Ramon Valdez) é verdade que ele acompanhou o Kiko em sua saída do seriado e interpretou um outro personagem na série solo de Kiko mas ele retornou depois ao seriado Chaves em episódios da década de 80 que não são exibidos no Brasil.
Quanto a filosofia , vou ficar mais na sugestão do texto de Foucault , provavelmente volte a escrever após ler detalhadamente o livro (ou não) o caso é que no momento não sei dizer qual a resposta direta para o problema chavístico: Quem é o autor, quem tem o direito autoral? Talvez não haja uma resposta direta, talvez sim, não, o certo é quem sabe (?)
A grosso modo o que Foucault procura responder é a questão quanto a autor e obra, a pesquisa em cima da escrita contemporânea e do quanto o autor mais se esconde que se mostra em sua obra, além é claro da questão estrutural como um ponto de destaque na análise de autor e obra. Mesmo Foucault admite que trata-se de uma questão complexa e ao tratarmos com extrema objetividade , ausentando o sujeito, resta o que? Nem os atores poderiam se salvar, afinal o que é um Kiko frente um todo estrutural , uma vila, uma relação com outros , falas...seu corpo mesmo que parte criadora e próprio de um sujeito fala em nome de que, de um sujeito isolado? 
O que é um autor?