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domingo, 14 de junho de 2009

Chaves é para crianças? E filosofia?

Seu Madruga- Quantos anos você tem, Chaves?
Chaves- Oito, por quê?
Seu Madruga- É que eu não entendo como é que em tão pouco tempo se consegue ficar tão burro!
Chaves- Pro senhor demorou mais?


Chaves é muitas vezes classificado como programa infantil, não que isso seja ruim. E não que o programa seja uma coisa que se diga, minha nossa! Que programa adulto! Até porque a classificação de programa adulto, geralmente acaba partindo para um outro lado na maioria das vezes. Temos exemplos aos montes na internet. Se eu digitar aqui playboy Sandy, Sexy Sandy capetinha, Playboy Francine, brasileirinhas , downloads video xxx, video da sobrinha de Gretchem, Julia Paes, Monica Matos, enfim a lista é imensa. Irá chover paraquedistas do google.(estou testando o google "analitiquis")
Mas tirando isso, Chaves era exibido em horário nobre no México, e grande parte do "infantil" do programa veio do fato de muitas crianças assistirem o seriado, o que fez com que chespirito se preocupasse mais com o conteúdo do programa. Cenas que as crianças poderiam imitar como por exemplo um episódio em que o Chaves lambe um ferro de passar, foram ficando mais raras, só ficaram os cascudos e tapas, mas em comparação com desenhos como Tom e Jerry por exemplo, Chaves é pouco violento.
Não creio que as crianças tenham dificuldade de entender uma piada do programa, porém perceber as sutilezas e inteligência dos diálogos, adimirar a simplicidade, é coisa que acontece depois de uma certa idade. O próprio Roberto Gomez Bolaños fala disso em sua autobiografia (sobre seu programa ser classificado como infantil), ele cita os quadrinhos de Mafalda do quadrinista argentino Quino que na opinião dele são dos mais geniais, e não tem nada de infantil, apesar de retratar o mundo de uma menina argentina de 7 anos.
E a filosofia? Ela ao contrário, é tida como coisa de adúlteros, digo, de adultos. É preciso bom conhecimento da língua , interpretação de textos difíceis, exige uma formação árdua, paciência, enfim nada de infantil (só o conceito que temos da palavra infantil, quando nos referimos a alguém como sendo infantil, já é um bom material para "filosofar")
Mas mesmo com toda a sua complexidade, algumas perguntas da filosofia são muito parecidas com as que as crianças fazem. Obviamente não podemos concluir daí, que a filosofia seja algo para as crianças, assim como não podemos concluir que só por retratar coisas do universo infantil, Chaves é um programa infantil. Questionar as coisas que ouvimos e as aparências , eis um bom começo para as crianças.

links:
http://www.hottopos.com/videtur15/dora.htm
http://www.urutagua.uem.br//ru26_sofia.htm
http://portal.filosofia.pro.br/filosofia-para-criancas.html

domingo, 7 de junho de 2009

Chaves e a Política 3 (o retorno)


Dona Neves: - Já chega! Isso é uma fraude! Repita comigo: "Isso é uma fraude!"
Chaves: - Isso é uma fraude!
Dona Neves: - Mas havemos de lutar!
Chaves: - Mas havemos de lutar!
Dona Neves: - Pela emancipação da classe! E em defesa dos postulados que emanam das formas estatutárias!
Chaves: - Tu.., Tutarias!
Dona Neves: - E a vitória já se adianta!
Chaves: - Anta!
Dona Neves: - E nem mesmo o salário que se achata...
Chaves. - Chata!
Dona Neves: - Deve ficar fora das coisas enquadradas!
Chaves: - Quadrada!
Dona Neves: - Essa é uma ofensa que não se dissimula!
Chaves: - Mula!
Dona Neves: - Mas havemos de lutar por nossos direitos sindicais! Fraternais! E pessoais!
Chaves: -Jornais! Animais! E... e tais.,.
Dona Neves: - E tenho dito!
Chaves; - E eu também!
(Discursos de Dona Marx digo Neves para o Proleta... digo Chaves)

Apesar de meus antigos posts sobre o assunto soarem mais como uma "desmistificação" no que se refere a Chaves e a Política, quero citar um episódio em que a política se manifesta de forma clara mas nem tanto. Como quase tudo do que se passa no programa , tudo é passado de forma sutil, bem sutil.
Não sou um saudosista até porque não tenho idade para isso (e mesmo se tivesse) , mas em meio a grande parte do humor que temos hoje em dia , vemos que hoje não há mais lugar para tais "sutilezas"(não que haja algo de errado nisso). A linha entre a apelação e a ousadia é muito tênue, embora é possível ser ousado sem apelar. Outra coisa é que nem sempre mais dinheiro e recursos quer dizer mais graça. Às vezes o segredo está na simplicidade, caso do nosso querido programa.
Esse diálogo de introdução, é dos mais engraçados e geniais do programa (numa época de certa "crise", pois, com a saída de Kiko e Seu Madruga-que retorna ao programa nos anos 80- fez-se necessário que chespirito adicionasse novos argumentos,elementos e ambientes , como é o caso do restaurante). O efeito que tem esse discurso, quando assistimos, é de riso diante das repetições praticadas pelo menino Chaves, que viram ofenças a velha carcomid... digo à Dona Florinda. Mas lendo atentamente fica claro o discurso "esquerdista-sindicalista" de Dona Neves (numa época em que ainda havia uma certa caça às bruxas , como bem lembrou o Edward, http://chaveseafilosofia.blogspot.com/2009/05/chaves-e-politica-nada-de-exaltacoes_5409.html#comments) , discurso esse, "encoberto" pelos: "Anta , chata , quadrada, mula...", não é genial?
E o genial não é porque é de "esquerda-sindicalista". Ao contrário disso, a leitura que podemos fazer do episódio em questão é que o trabalhador, no caso o Chaves , repete e papagueia discursos(pode ser tanto de "esquerda" como de "direita"), sem nem ao menos entendê-los. Dona Neves , simboliza quem se sensibiliza pela situação dos fracos e oprimidos (tá certo que ela desiste depois de ser chamada de louca). E Dona Florinda, a burguesia que acaba sedendo diante dos apelos, protestos e ameaças de fechar seu estabelecimento, preferindo perder os anéis ao invés dos dedos.
No fim há até um momento de ternura quando Dona Florinda consede o salário fixo, e meio período, para que o menino estude. Quem assiste não fica com raiva de ninguém. Genial!
Ahh,se conseguir direitos e salários melhores fosse tão simples assim...