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segunda-feira, 25 de julho de 2016

Meritocracia e Chaves e a filosofia (Chaves tem partido?)

"Na sua idade Prudente de Moraes era o primeiro da classe "
(Seu Madruga sobre Prudente de Moraes)
"E na sua era presidente!"
(Chaves sobre Prudente de Moraes)

Muito se tem falado sobre meritocracia, reivindicando como solução (?) para os problemas do país. Mas afinal o que ela é? Governo dos méritos? Méritos tal qual o budismo que contrapõe mérito à carma? Obviamente não se trata disso mas sim de uma discussão que esteve muito presente no século XX e agora parece reavivada por "neo-neo-liberais" anarcocapitalistas e libertarianistas embora esse último termo é mais antigo e apesar da raiz libertária aponta para a questão econômica, ou seja, a liberdade está na não interferência do Estado na economia, liberdade entendida no sentido estritamente econômico. É comum de se ouvir hoje em dia de jovens inclusive , fascinados com ideais liberais destilando uma certa arrogância achando que se descobriu o ouro neoliberal encoberto por camadas de marxismo cultural (sic) . Pois sim, não vejo como não concordar com o clássico argumento que tudo é ideologia. Quem defende ideais liberais defende ideais liberais. Não existe nisso um revolucionário lutando contra um marxismo e lavagem cerebral feita nas escolas e sim alguém que sofreu influências e optou por acreditar nesses ideais que são passíveis de debate ao invés de serem obrigatoriamente o certo a ser ensinado.
Já tratei algumas vezes por aqui do viés político de um garoto pobre na America Latina com as posições do Bolaños tidas como conservadoras mas tomando como perspectiva o projeto que resgata uma guerra fria inexistente (escola sem partido) nosso querido seriado mexicano seria proibido ou no mínimo taxado de "petralha".  Peguemos a frase do começo, ela é precedida por uma reclamação do menino Chaves que devido a fome não consegue pensar na geografia e o que é respondido é o que geralmente se faz quando se fala em meritocracia: se dá exemplos de exceções que "chegaram lá". E o mais legal é que Chaves devolve cobrando "méritos" de quem requisita que deixe de reclamar e "vença na vida", afinal quem diz essas coisas e se pauta nesses exemplos deveria ser exemplo também.
É compreensível que o famoso 1% ou mesmo pessoas em excelentes condições financeiras como donos de multinacionais e diretores apoiem a doutrina "trickle down"  (a doutrina que com uma economia forte todos se beneficiam e o dinheiro dos ricos "escoa" para os pobres naturalmente). Agora trabalhadores e até filhos de trabalhadores defendendo meritocracia e poucos incentivos sociais trata-se de um engano gerado também pela adoção de valores para se diferenciar da ralé, ou seja , quem apoia tais medidas acredita que apoiando está sendo "diferenciado".
Na filosofia o exemplo de John Rawls, um liberal, nos mostra como a desigualdade se mostra um problema na democracia e daí a importância de políticas sociais, mostrando que se torna necessária uma intervenção do Estado para que haja o bem estar social.
Por fim não se trata de ser contra o trabalho, as escolhas ou mesmo contra a liberdade mas refletir que tipo de trabalho , escolha e liberdade estamos falando.

links:
https://en.wikipedia.org/wiki/Trickle-down_economics

domingo, 24 de julho de 2016

Trágico em Chaves (Chespirito-Shakespeare-Nietzsche)

"Quico, que vergonha! Imagina o que o seu pai, que está te olhando lá de cima, iria achar disso!" 
"Ou de baixo, né?..."
(Chaves mostrando o trágico)
"Tenho o direito de me considerar o primeiro filósofo trágico – quer dizer, o extremo oposto e o
antípoda exato de um filósofo pessimista. Antes de mim, não se conhece essa transposição do dionisíaco em uma paixão filosófica: falta a sabedoria trágica."
Friedrich Nietzsche
(EH, O Nascimento da tragédia, § 3)



Acredito que a maioria saiba do apelido de Roberto Gomes ser Chespirito (pequeno Shakespeare). A aproximação entre a tragédia e o cômico também se dá na filosofia que se aproxima da tragédia em alguns momentos.
É com Nietzsche que o trágico se resgata (?) diferente de uma visão aristotélica de fundamento da tragédia Nietzsche busca na tragédia uma sabedoria para a vida. A filosofia vinha de um pessimismo, a Europa de certa forma em sua época passava por uma onda niilista (principalmente com os russos) e de certa forma Nietzsche não deixa de esbarrar no niilismo mas busca uma resposta a ele, uma superação. Não há um pessimismo mas ao mesmo tempo não há um otimismo do tipo de vivermos no melhor dos mundos (Leibniz). O mundo é um caos, absurdo e contingência mas...que bom que seja assim (!) é quase um masoquismo, Nietzsche querendo ou não busca o bem viver nesse mundo aceitando o trágico. Conhecer a natureza do mundo  e mesmo assim fazer surgir uma alegria, um júbilo e contentamento. Nietzsche busca responder por novas ideias e valores frente a um mundo sem deus e com um homem longe de ser o centro do universo. A razão acaba sendo apenas uma arma tal qual o tigre tem suas garras.
Na própria vida de Nietzsche algumas tragédias. A sua loucura vinda do terceiro estágio de sífilis e a apropriação de sua obra por sua irmã que o transforma sua guerra intelectual , de pensamento e argumentos contra a cultura judaico cristã em antissemitismo. Logo ele que travou combate com tudo o que veio a ser o nazismo e fascismo família, pátria , tradição. 
Shakespeare tem muitas peças clássicas ligadas em um conceito aristotélico de tragédia, o personagem é dotado de imperfeição , pura e simplesmente. Existe a vontade livre e o mundo que acaba por instituir o trágico, ou seja, é o elemento externo que faz da tragédia uma tragédia por assim dizer.
Chespirito tem suas adaptações como Juleu e Romieta e seu humor clássico e escrita própria que lhe renderam o apelido. O próprio herói de Bolaños tem características falhas com as quais nos identificamos além disso a vila é uma maneira bem humorada de retratar o trágico da condição latino americana com um menino pobre de 8 anos que sempre tem fome cercado por personagens com o mesmo aspecto trágico. Até mesmo o dono da vila passa pela trágica recepção com uma pancada cada vez que chega.




sexta-feira, 22 de julho de 2016

Parrésia chavistica

"Quantos anos você tem Chaves?"
"8, por que?"
" Porque eu não sei como em tão pouco tempo se consegue ficar tão burro"
" Para o senhor demorou mais?"
(Sr. Madruga e Chaves)

A Parrésia é um termo grego ligado ao falar a verdade (franqueza), é citada em política na questão de como um governante consegue exerce-la frente ao povo se opondo a fala do demagogo. Ao invés de ser a fala que o povo prefere ouvir a parrésia seria a fala que o povo precisa ouvir, seja agradável ou não aos seus ouvidos. Foucault trata da parrésia desde discursos de Péricles, até Platão, Sócrates e Diógenes.
Pericles é um político hábil em seus discursos. Mesmo diante da guerra consegue avivar os ânimos do povo grego. Seu discurso fala que independente de haver uma derrota todos devem assumir a responsabilidade, algo diferente de simplesmente incitar as massas a guerra por si só. Existe a necessidade de guerra , o discurso vai na direção da guerra porém não se abstêm de ser franco. Platão precisa exercer a parrésia ao colocar em prática seu projeto político na Sicília só que no papel de conselheiro de um governante tirano. Sócrates é o exemplo mais emérito de bom parrésiasta , seja em seus discursos nos diálogos como Banquete e Fedro seja na sua defesa em seu próprio julgamento. Por fim sobra Diógenes , qual a parrésia de alguém como Diógenes? Pois sim, seu próprio cinismo, modo de agir e ser no mundo, estes elementos são sua própria parrésia. 
Chaves, se analisarmos (olhando assim contra a luz), parece ser um dos poucos que consegue falar a verdade e praticar a parrésia no seriado. Seja em seu agir, seja no seu falar em meio as fofalhas da gentoca e tudo que cerca a vila. A parrésia é algo de seu demônio, digo, domínio. 

segunda-feira, 9 de maio de 2016

Xipurinfula e Carnap

Nunca fui dado a filosofia analítica e creio que o mesmo acontece ao "Chavinho" mas sua invenção conceitual-linguística-artística-metafísica exemplifica bem o que está em questão na história desta perspectiva filosófica. 
Carnap seria um professor que daria 0 ao invés dos 6 que o professor Girafales deu. Aliás não só daria 0 mas nem perguntaria qual era a intenção do garoto ao desenhar a Xipurinfula. Isto porque a Xipurinfula não passaria em um critério básico de sentido, não podemos reduzir a Xipurinfula a nada que existe no mundo como se faz com conceitos científicos. A palavra artropode por exemplo se refere a animais, com características x e y, uma Xipurinfula não é verificável portanto não possui sentido. Carnap vai mais longe e engloba muito da filosofia de Hegel e Heidegger como "Xipurinfulas" , ou seja, muito do que se é dito por esses dois autores seriam coisas sem sentido. 
Carnap empreende uma cruzada contra a metafísica , segundo ele incapaz de emitir qualquer coisa com sentido, seu texto é traduzido como superação mas trata-se de uma eliminação da metafísica e portanto das "Xipurinfulas". 
Além dessa triste consequência (um mundo sem Xipurinfulas) , para Carnap a filosofia só deveria se ocupar no ramo da lógica (clarificando conceitos e enunciados científicos), sendo a ética e a estética algo descartável. 
Chaves está em uma aula de artes, Carnap chama os filosofos metafísicos de  artistas frustrados. A grande ironia é que o círculo de Viena do qual Carnap fazia parte foi dissipado devido o nazismo.
Por fim metafisico ou não a Xipurinfula é inegavelmente idêntica ou será que não?    

Ps- faz tempo que não escrevo mas acredito que ainda há oportunidade de um segundo volume, quem não possui ainda o primeiro ebook de chaves e a filosofia é só mandar um emeio para vinicius1988@yahoo.com que informo os procedimentos. 

quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

Exercício aos graduandos de filosofia

Está aberto aos alunos de filosofia que fazem a disciplina de Educação e Tecnologias Contemporâneas esse espaço para o exercício livre de uma sugestão de um tema relacionando Chaves e a filosofia.

sexta-feira, 27 de novembro de 2015

Bruxa do 71, digo, Dona Clotilde e Karl Popper

"Outro gato" (Chaves em seu movimento imaginativo simplificando as coisas ao invés de imitar um gato)

Esse é um dos meus rascunhos mais antigos, o título era inclusive "ocultismo e filosofia" e a ideia era realmente trazer um panorama tanto do que a filosofia teve de aproximação de ocultismo, ordens secretas e afins, como o ocultismo no fazer filosófico no sentido de pensa-lo como uma filosofia, o gnosticismo como "concorrente" da filosofia medieval bem como as ideias mais atuais de ocultismo. Além de esbarrar na minha costumeira preguiça e imenso trabalho de ir atrás de um tema que não domino de leituras mas que mais "tiro de ouvido", como se diz por aí, acreditei que ia desviar um pouco do tema filosófico mesmo que incluísse um personagem ainda não explorado da série: a Bruxa do setent...digo a srta. Clotilde.
Não que esse tema seja algo que se diga minha nossa como domino (!) mas..."por eso estamos" (estamos aqui pra isso)
Popper contribuiu demais para a filosofia no século XX ,sob um certo aspecto podemos dizer que de certa maneira resgatou a imaginação para o fazer filosófico, ou seja, enquanto a filosofia dominada pelo Círculo de Viena ia se tornando bastante técnica e rigorosa, fundamentada em valores científicos em que só se vale analisar e filosofar sobre aquilo que pode ser verificado (enquanto o restante acaba sendo simplesmente um discurso sem sentido), Popper, apesar de buscar critérios para o que se é científico e metafísico nos diz que não é bem assim. Popper coloca que a ciência avança com teorias provisórias e não com dogmatismo, a ciência evolui diante de teorias que progridem através da acumulação de conhecimento e respondendo novos problemas. Ao se restringir a ciência a simples verificação de eventos que se repetem se valendo do método indutivo elimina-se toda possibilidade de progresso que se dá segundo Popper com a confrontação de teorias que vão se superando umas as outras.
No episódio Chaves , Francisquinha e Kiko usam de sua imaginação para de certa forma adentrar no mundo "Clotildiano" e mesmo que tudo tenha sido falso, o conhecimento, segundo Popper, (inclusive o científico) é conjecturial, especulativo e passível de erro.
Por fim no final do episódio Chaves faz sua fala dizendo que devemos julgar as pessoas pelo que elas são; que julguemos a ciência pelo que ela é: um discurso.

* texto curto, apressado e feito"nas coxa", a ideia é retomar o blog com esse texto ampliado e editado para um segundo volume do livro que até agora tem superado todas as expectativas vendendo mais de um exemplar e comprado por outras pessoas que não eu mesmo.

quarta-feira, 14 de outubro de 2015

Emeio

Quem estiver interessado no livro envie um emeio para: vinicius1988@yahoo.com
(se não for muito incômodo)