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terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

Wittgenstein e chaves

1 murio
2 pase
3 pastel
(se dona Florinda chegar vocês dizem que eu morri, se quem chegar for a nova vizinha diga que entre que estou esperando, agora se quem vier for a brux...digo a senhorita Clotilde vocês...tacam o bolo nela)


f → m
v → e
c → b



f ↔ m
v ↔ e
c ↔ b




Wittgenstein deu novo fôlego a filosofia através de sua contribuição para a lógica e linguagem. O exercício chavístico descrito acima (de numerar situações para cada possibilidade de ação diante dela), por mais atrapalhado que se tenha mostrado é um exemplo possível para talvez ilustrarmos. Existe por parte da lógica de Wittgeinstein a tentativa de representar a realidade de maneira a usar-se de uma notação possível se referindo a eventos que ocorrem e se verificam no real expressando um estado de coisas.
O problema no seriado foram os números representando relações que eram entre pessoas e ações, aí a relação foi feita por ordem de chegada.  A segunda notação (se e somente se) poderia dar um desfecho menos problemático ao pobre sr. Madruga ou mesmo a primeira (se , então) mas não haveriam surpresas. Na lógica não existem surpresas. 

segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

Você não viu por aí algum cachorro que possa vir a sujar as minhas calças?

"Sem sorte não se chupa nem um picolé de limão" (Nelson Rodrigues, dizem...talvez acerte por sorte) 

A questão da sorte aparece bastante na vida comum. Preciso admitir que passei por um período turbulento nesse começo de ano e eis que lembrei da frase do nosso querido professor que está no título. Em filosofia o conceito que mais aparece e é digamos...similar é o conceito de fortuna. Seja em Aristóteles em sua ética e poética, seja com os estoicos que visam superar a sujeição do homem a boa e má fortuna, até mesmo com Maquiavel que usa do conceito de fortuna e virtú para caracterizar um agir sábio no campo político.
Talvez não se dê tanta atenção ao que seria sorte enquanto algo tido como superstição mas que ela existe existe. Ou não? O mais preciso é quem sabe? 
Pois sim, muitas vezes e com certa razão o fenômeno é descrito como psicológico, ou seja, enxergamos padrões e tendemos a associar sorte ou falta dela levando em consideração eventos aleatórios.
De fato algo "moderno" no que se chama de modernidade e enquanto paradigma moderno se mostra no que se tem por "mecanicismo". O mecanicismo se pauta na ideia de que dado uma serie de fenômenos e dados que ocorrem segundo a lógica de causa e efeito, o poder científico cada vez mais inteirado das causas dos fenômenos poderia prever todos os acontecimentos futuros. Tudo seria uma questão de calcular, aprimorar o processamento de dados e assim chegar a resultados de previsão visto que estamos em um mundo mecânico,controlável e explicável.  Passamos de Newnton (querendo ou não porta voz desse paradigma mecanicista) até Einstein , de uma visão mecanicista passamos para uma visão "quântica" com novos problemas e questões, bem como muitas incertezas. Ao ponto que se proclama que a única maneira de se saber a hora exata é possuindo um relógio quebrado, pois só assim se saberá a hora certa duas vezes ao dia. Em outras palavras a visão mecanicista já não encontra resguardo. Se descobre que a natureza não pode ser reduzida a um mecanismo e prevista em sua totalidade.
Ao   mesmo   tempo   o   caos   ,   a   falta   de   sentido,   o   efeito   borboleta,   o movimento molecular aleatório, todo universo que se contrapõe ao mecanicismo nos deixa face a face com...a sorte. Sorte esta que se faz presente na figura do aleatório e da fortuna.
Transportando essa realidade para a vida trata-se de uma velha antítese entre týkhe (fortuna) e tékhne (técnica, arte ou ciência humana). Podemos pensar que todo esforço técnico para uma vida tranquila e controlada, com avanços científicos alcançados por meio da técnica para fugir de estar entregue à fortuna nos levaram ao paradoxo de se comprovar pela técnica (ciência) o "domínio da fortuna" em boa parte dos processos do universo. 
A grande pergunta seria como harmonizar esses elementos na vida humana týkhe (fortuna) e tékhne (técnica). A resposta do nosso querido professor no seriado foi não só aceitar como imaginar mais uma possível situação promovida pela fortuna (ou falta dela, falta de boa fortuna ter as calças sujas).
Por fim o que se viu no seriado foi que a situação imaginada se tornou realidade mas daí a ver uma relação entre imaginar e acontecer é uma outra história...  

http://www.seer.ufs.br/index.php/apaloseco/article/view/5150/pdf
http://cienciassociaisefilosofia.blogspot.com.br/2007/10/maquiavel-virt-x-fortuna.html
http://brasilescola.uol.com.br/filosofia/os-estoicos.htm

terça-feira, 3 de janeiro de 2017

O que é um autor? * (fofalhas da gentoca ou bastidores da "briga" entre os atores)

*Referência a um livro de Foucault baseado em uma conferência proferida pelo...autor, que leva o mesmo nome.

Uma questão interessante do seriado e que me veio a tona lendo textos e relatos do interprete do Kiko (Carlos Villagran) é a que inclusive é tida como motivo das brigas entre os integrantes do seriado: quem é o autor? Quem teria os direitos sobre os personagens do seriado, Roberto Gomes Bolanos criador de todo o enredo ou os atores criadores de toda a execução e podemos dizer aqueles que "dão vida" as ideias do autor? 
Villagran diz e quase sempre mostrando seus defei...digo atributos físicos que tudo em relação ao Kiko é dele, as bochechas , o jeito , o físico...e dispara que Bolanos o tirou do seriado, que Kiko era um sucesso e deixava Bolanos enciumado etc. Bolanos em sua autobiografia lançada em 2007 (disponível apenas em espanhol) desmente grande parte do que é dito por Villagran. Ele fala em sua autobiografia de toda a sua trajetória como escritor de comédias , seu início na publicidade e nos primeiros programas Bolanos cita como um ator reclamava com ele quando supostamente se dava mais destaque para um outro ator na cena. Segundo ele não havia uma preocupação em se promover e escrever as melhores falas para si mesmo quando ele Bolanos estava atuando. E de fato sua observação faz sentido quando vemos o seriado, não há uma centralização ou protagonismo de Chaves em relação aos outros personagens, muitas falas engraçadas vão para os outros atores. Outro ponto abordado na autobiografia é a saída voluntária (segundo Bolaños) de Villagran, não bastasse pedir pra sair tranquilamente Bolanos diz que Villagran pediu conselhos. E o único conselho de Chespirito foi que não ficasse preso a um único personagem, e ele completa na autobiografia que Villagran não seguiu seu conselho.
Pode parecer uma defesa exagerada de Chespirito mas é um outro lado pouco falado , até por haver pouco pronunciamento do próprio Bolanos que tenhamos acesso. A imagem que fica ao se ouvir Villagran é o de Bolanos como uma pessoa gananciosa e mesquinha. De fato na autobiografia ele admite que fez a exigência de que fosse citado como criador do personagem nas apresentações que Kiko fizesse porém ele diz que fosse cumprida a exigência não iria proibir o ator de ganhar seu pão com seu personagem. Houve problemas com a Francisquinha (Maria Antonieta de las Nieves) também quanto aos direitos autorais. Quanto ao Seu Madruga (Ramon Valdez) é verdade que ele acompanhou o Kiko em sua saída do seriado e interpretou um outro personagem na série solo de Kiko mas ele retornou depois ao seriado Chaves em episódios da década de 80 que não são exibidos no Brasil.
Quanto a filosofia , vou ficar mais na sugestão do texto de Foucault , provavelmente volte a escrever após ler detalhadamente o livro (ou não) o caso é que no momento não sei dizer qual a resposta direta para o problema chavístico: Quem é o autor, quem tem o direito autoral? Talvez não haja uma resposta direta, talvez sim, não, o certo é quem sabe (?)
A grosso modo o que Foucault procura responder é a questão quanto a autor e obra, a pesquisa em cima da escrita contemporânea e do quanto o autor mais se esconde que se mostra em sua obra, além é claro da questão estrutural como um ponto de destaque na análise de autor e obra. Mesmo Foucault admite que trata-se de uma questão complexa e ao tratarmos com extrema objetividade , ausentando o sujeito, resta o que? Nem os atores poderiam se salvar, afinal o que é um Kiko frente um todo estrutural , uma vila, uma relação com outros , falas...seu corpo mesmo que parte criadora e próprio de um sujeito fala em nome de que, de um sujeito isolado? 
O que é um autor?

quarta-feira, 21 de dezembro de 2016

Obrigatoriedade da filosofia-obrigatoriedade de Chaves

"Chaves não serve para que uma criança saiba qual a capital da França, sua função é simplesmente divertir e sem fazer uso de piadas preconceituosas ou racistas"
(Roberto Gomes Bolaños, frase de cabeça puxada pela memória mas é assim, mais ou menos...)

Preciso confessar que já me questionei quanto ao ensino da filosofia. Será que ela é necessária ao ponto de ser obrigatória enquanto se sabe ler pouco? Enquanto se é deficiente em matemática? Filosofia é importante tal qual essas duas matérias, português e matemática? Existem pessoas que nunca fizeram uma questão filosófica em suas vidas (pelo menos ao meu ver acredito que essas pessoas existam) isso faz de suas vidas algo pior? Não sei se responderei essas perguntas todas nem vejo como obrigatória sua explicação para avançar no tema até porque a filosofia vai além de um jogo de respostas na maioria das vezes.
Este debate é antigo e lembro que um colunista daqueles direitistas e "azedo" resolver se meter na questão. Excetuando todo discurso de "molestamento ideológico" e toda pobreza conceitual que se segue disto colocando questões que inclusive busquei responder no texto anterior sobre escola sem partido, afirmando que a filosofia seria uma conspiração de "Marxização" do Brasil criando alunos submetidos a "doutrina comunista" (formar para o mercado de trabalho não é doutrinação, ahan) , enfim feita essa ressalva o texto do colunista apontava nessa direção se não seria mais urgente se concentrar em matérias como o português e matemática. Neste aspecto dá para se conversar. De fato acredito que seja importante esse aspecto básico de possuir uma base de conhecimento mínima da língua , da matemática. Trata-se de uma questão importante reparar a situação terrível de praticamente semi analfabetismo em séries avançadas , estudantes que não sabem multiplicar estando no ensino médio. Daí se sobressai duas questões: Primeiro o aspecto de aprendizado e até epistemológico, aprendemos de maneira fragmentada e não há espaço para apreender conjuntamente? Em outras palavras , o conhecimento se dá tal qual um computador ou alimento? E daí é preciso se alimentar de conhecimento e ir preenchendo até a saciedade ou até se esgotar a memória? Segundo, o caráter pragmático-científico da filosofia, a filosofia possui essa validade atrelada ao status científico que aufere importância ou desimportância?
Caímos então em uma pergunta natural e difícil de se responder: o que é então a filosofia? E temos respostas das mais variadas , servidões (serva da teologia ou serva da ciência) , conceitos de filosofia pura, Platão, Aristóteles, Deleuze , Heidegger e desse último se tira uma noção interessante ao se pensar sobre o que é filosofia e sua relação com a ciência. A filosofia acaba se excedendo não sendo categorizável como ciência para Heidegger.  
E o Chaves nessa história? Da filosofia acredito que sua obrigatoriedade está longe de ser uma imposição ou mesmo algo possível apenas quando se alcançar a excelência em saberes básicos, até porque existe um terceiro ponto, o quanto a maior carga dessas duas disciplinas (português e matemática) faz seu aprendizado não ser correspondente , ou seja, não há uma correlação de mais horas de aula e maior aprendizado, portanto não é uma questão de quantidade. Mas e o Chaves? Além de ser interessante pensar na sua exibição ininterrupta contrariando qualquer expectativa desde o começo, longe também de uma imposição exibir Chaves acaba sendo uma simbólica resistência. Outra questão é a da frase inicial, mesmo que não seja um programa educativo Chaves acaba ensinando no próprio processo de divertimento. Talvez a filosofia ensine no próprio caminho do filosofar e nos problemas que ela mesmo cria e nas resoluções que apresenta para os problemas humanos por mais de 25 séculos...

segunda-feira, 25 de julho de 2016

Meritocracia e Chaves e a filosofia (Chaves tem partido?)

"Na sua idade Prudente de Moraes era o primeiro da classe "
(Seu Madruga sobre Prudente de Moraes)
"E na sua era presidente!"
(Chaves sobre Prudente de Moraes)

Muito se tem falado sobre meritocracia, reivindicando como solução (?) para os problemas do país. Mas afinal o que ela é? Governo dos méritos? Méritos tal qual o budismo que contrapõe mérito à carma? Obviamente não se trata disso mas sim de uma conversa antiga que está presente no senso comum e agora parece reavivada por "neo-neo-liberais": anarcocapitalistas, libertarianistas (embora o termo libertarianista tenha a raiz libertária, o ponto central é a questão econômica, ou seja, a liberdade está na não interferência do Estado na economia, liberdade entendida no sentido estritamente econômico). Não se trata de simples "papo de avô", é comum de se ouvir hoje em dia jovens defendendo essa ideia de meritocracia , supostamente "careta" e direitista, arrotando ideais liberais e destilando uma certa arrogância achando que se descobriu o ouro neoliberal encoberto por camadas de marxismo cultural (sic) . Aliás é constante o clamor por "mais Mises" e por aqui preciso ser sincero ao dizer que não entendo qual a relevância de se ensinar Mises nas escolas para um público de filosofia.  Pois sim, dito isto , não vejo como não concordar com o clássico argumento que tudo é ideologia. Quem defende ideais liberais defende ideais liberais. Não existe nisso um revolucionário lutando contra um marxismo e lavagem cerebral feita nas escolas. Existe alguém que sofreu influências tal qual um outro jovem que tenha outros ideais. É uma questão complexa saber as motivações exatas mas basicamente é uma questão de se optar por acreditar e partilhar de ideais que são passíveis de debate e críticas ao invés de serem obrigatoriamente o certo a ser ensinado. Não existe uma solução como policiar o ensino de Marx que convenhamos além de ser um clássico seu aspecto revolucionário é uma faceta que nem o mais fervoroso "comunista" tem como guia correto livre de enganos. É uma fala extremamente comum dizer que Marx é um homem de seu tempo. Como podemos tirar do ensino de Marx uma doutrinação perigosa? Como qualificar o ensino de Marx condenável e o de Mises correto? Uma aula de filosofia pode passar muito bem sem Mises me perdoem os leitores simpáticos ao autor, agora sem Marx? Não vejo ser possível suprimi-lo ao longo de um curso de filosofia mesmo que para o ensino médio. A abordagem é ruim, doutrinária? Sob qual critério? Se é o de não se poder ensinar Marx sinto muito mas acredito que se "incovocaram-se" como diria o chavinho.
Já tratei algumas vezes por aqui do viés político de um garoto pobre na America Latina contra as posições do Bolaños tidas como conservadoras no México mas tomando como perspectiva o projeto que resgata uma guerra fria inexistente (escola sem partido) nosso querido seriado mexicano seria proibido ou no mínimo taxado de "petralha".  Peguemos a frase do começo, ela é precedida por uma reclamação do menino Chaves que devido a fome não consegue pensar na geografia e o que é respondido é o que geralmente se faz quando se fala em meritocracia: se dá exemplos de exceções que "chegaram lá". E o mais legal é que Chaves devolve cobrando "méritos" de quem requisita que deixe de reclamar e "vença na vida", afinal quem diz essas coisas e se pauta nesses exemplos deveria ser exemplo também. Quem solta o bordão vá trabalhar corre o risco de ouvir de volta: vá ser o 1% da pirâmide.
É compreensível que o famoso 1% ou mesmo pessoas em excelentes condições financeiras como donos de multinacionais e diretores apoiem a doutrina "trickle down"  (a doutrina que com uma economia forte todos se beneficiam e o dinheiro dos ricos "escoa" para os pobres naturalmente). Agora trabalhadores e até filhos de trabalhadores defendendo meritocracia e poucos incentivos sociais trata-se de um engano gerado também pela adoção de valores para se diferenciar da gentalha, ou seja , quem apoia tais medidas acredita que apoiando está sendo "diferenciado".
Na filosofia o exemplo de John Rawls, um liberal, nos mostra como a desigualdade se mostra um problema na democracia e daí a importância de políticas sociais, mostrando que se torna necessária uma intervenção do Estado para que haja o bem estar social. Se até um liberal constata isso dá pra dizer que não é preciso muito esforço para entender que a meritocracia trata-se de um engodo. Porque não se aplica essa meritocracia em um momento de crise econômica , todos são chamados a ajudar mas e a meritocracia dos 1% para reverter a crise? Além disso se vivêssemos uma meritocracia de fato haveria mobilidade social que não existe, os 1% não viram miseráveis nem se "se esforçarem" muito.
Por fim não se trata de ser contra os liberais , contra Mises ou mesmo contra os jovens que descobriram nos liberais uma forma de confrontar os mais velhos supostamente doutrinários marxistas. Trata-se de observar que essa querela não se observa na realidade , não há um professor tremulando uma bandeira daquele partido que a imprensa não tem apreço nem ensinando alunos a tremular a bandeira junto, aulas de filosofia e a filosofia de maneira geral se permite criticar o status quo , sem liberdade de pensamento crítico caminhamos para um totalitarismo mesmo que travestido de liberalismo e liberdade de consumo.

links:
https://en.wikipedia.org/wiki/Trickle-down_economics
https://papodehomem.com.br/direita-e-esquerda-ainda-fazem-sentido-o-sinistrismo-inexoravel-da-politica-wtf-48/

domingo, 24 de julho de 2016

Trágico em Chaves (Chespirito-Shakespeare-Nietzsche)

"Quico, que vergonha! Imagina o que o seu pai, que está te olhando lá de cima, iria achar disso!" 
"Ou de baixo, né?..."
(Chaves mostrando o trágico)
"Tenho o direito de me considerar o primeiro filósofo trágico – quer dizer, o extremo oposto e o
antípoda exato de um filósofo pessimista. Antes de mim, não se conhece essa transposição do dionisíaco em uma paixão filosófica: falta a sabedoria trágica."
Friedrich Nietzsche
(EH, O Nascimento da tragédia, § 3)



Acredito que a maioria saiba do apelido de Roberto Gomes ser Chespirito (pequeno Shakespeare). A aproximação entre a tragédia e o cômico também se dá na filosofia que se aproxima da tragédia em alguns momentos.
É com Nietzsche que o trágico se resgata (?) diferente de uma visão aristotélica de fundamento da tragédia Nietzsche busca na tragédia uma sabedoria para a vida. A filosofia vinha de um pessimismo, a Europa de certa forma em sua época passava por uma onda niilista (principalmente com os russos) e de certa forma Nietzsche não deixa de esbarrar no niilismo mas busca uma resposta a ele, uma superação. Não há um pessimismo mas ao mesmo tempo não há um otimismo do tipo de vivermos no melhor dos mundos (Leibniz). O mundo é um caos, absurdo e contingência mas...que bom que seja assim (!) é quase um masoquismo, Nietzsche querendo ou não busca o bem viver nesse mundo aceitando o trágico. Conhecer a natureza do mundo  e mesmo assim fazer surgir uma alegria, um júbilo e contentamento. Nietzsche busca responder por novas ideias e valores frente a um mundo sem deus e com um homem longe de ser o centro do universo. A razão acaba sendo apenas uma arma tal qual o tigre tem suas garras.
Na própria vida de Nietzsche algumas tragédias. A sua loucura vinda do terceiro estágio de sífilis e a apropriação de sua obra por sua irmã que o transforma sua guerra intelectual , de pensamento e argumentos contra a cultura judaico cristã em antissemitismo. Logo ele que travou combate com tudo o que veio a ser o nazismo e fascismo família, pátria , tradição. 
Shakespeare tem muitas peças clássicas ligadas em um conceito aristotélico de tragédia, o personagem é dotado de imperfeição , pura e simplesmente. Existe a vontade livre e o mundo que acaba por instituir o trágico, ou seja, é o elemento externo que faz da tragédia uma tragédia por assim dizer.
Chespirito tem suas adaptações como Juleu e Romieta e seu humor clássico e escrita própria que lhe renderam o apelido. O próprio herói de Bolaños tem características falhas com as quais nos identificamos além disso a vila é uma maneira bem humorada de retratar o trágico da condição latino americana com um menino pobre de 8 anos que sempre tem fome cercado por personagens com o mesmo aspecto trágico. Até mesmo o dono da vila passa pela trágica recepção com uma pancada cada vez que chega.




sexta-feira, 22 de julho de 2016

Parrésia chavistica

"Quantos anos você tem Chaves?"
"8, por que?"
" Porque eu não sei como em tão pouco tempo se consegue ficar tão burro"
" Para o senhor demorou mais?"
(Sr. Madruga e Chaves)

A Parrésia é um termo grego ligado ao falar a verdade (franqueza), é citada em política na questão de como um governante consegue exerce-la frente ao povo se opondo a fala do demagogo. Ao invés de ser a fala que o povo prefere ouvir a parrésia seria a fala que o povo precisa ouvir, seja agradável ou não aos seus ouvidos. Foucault trata da parrésia desde discursos de Péricles, até Platão, Sócrates e Diógenes.
Pericles é um político hábil em seus discursos. Mesmo diante da guerra consegue avivar os ânimos do povo grego. Seu discurso fala que independente de haver uma derrota todos devem assumir a responsabilidade, algo diferente de simplesmente incitar as massas a guerra por si só. Existe a necessidade de guerra , o discurso vai na direção da guerra porém não se abstêm de ser franco. Platão precisa exercer a parrésia ao colocar em prática seu projeto político na Sicília só que no papel de conselheiro de um governante tirano. Sócrates é o exemplo mais emérito de bom parrésiasta , seja em seus discursos nos diálogos como Banquete e Fedro seja na sua defesa em seu próprio julgamento. Por fim sobra Diógenes , qual a parrésia de alguém como Diógenes? Pois sim, seu próprio cinismo, modo de agir e ser no mundo, estes elementos são sua própria parrésia. 
Chaves, se analisarmos (olhando assim contra a luz), parece ser um dos poucos que consegue falar a verdade e praticar a parrésia no seriado. Seja em seu agir, seja no seu falar em meio as fofalhas da gentoca e tudo que cerca a vila. A parrésia é algo de seu demônio, digo, domínio.