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domingo, 7 de junho de 2009

Chaves e a Política 3 (o retorno)


Dona Neves: - Já chega! Isso é uma fraude! Repita comigo: "Isso é uma fraude!"
Chaves: - Isso é uma fraude!
Dona Neves: - Mas havemos de lutar!
Chaves: - Mas havemos de lutar!
Dona Neves: - Pela emancipação da classe! E em defesa dos postulados que emanam das formas estatutárias!
Chaves: - Tu.., Tutarias!
Dona Neves: - E a vitória já se adianta!
Chaves: - Anta!
Dona Neves: - E nem mesmo o salário que se achata...
Chaves. - Chata!
Dona Neves: - Deve ficar fora das coisas enquadradas!
Chaves: - Quadrada!
Dona Neves: - Essa é uma ofensa que não se dissimula!
Chaves: - Mula!
Dona Neves: - Mas havemos de lutar por nossos direitos sindicais! Fraternais! E pessoais!
Chaves: -Jornais! Animais! E... e tais.,.
Dona Neves: - E tenho dito!
Chaves; - E eu também!
(Discursos de Dona Marx digo Neves para o Proleta... digo Chaves)

Apesar de meus antigos posts sobre o assunto soarem mais como uma "desmistificação" no que se refere a Chaves e a Política, quero citar um episódio em que a política se manifesta de forma clara mas nem tanto. Como quase tudo do que se passa no programa , tudo é passado de forma sutil, bem sutil.
Não sou um saudosista até porque não tenho idade para isso (e mesmo se tivesse) , mas em meio a grande parte do humor que temos hoje em dia , vemos que hoje não há mais lugar para tais "sutilezas"(não que haja algo de errado nisso). A linha entre a apelação e a ousadia é muito tênue, embora é possível ser ousado sem apelar. Outra coisa é que nem sempre mais dinheiro e recursos quer dizer mais graça. Às vezes o segredo está na simplicidade, caso do nosso querido programa.
Esse diálogo de introdução, é dos mais engraçados e geniais do programa (numa época de certa "crise", pois, com a saída de Kiko e Seu Madruga-que retorna ao programa nos anos 80- fez-se necessário que chespirito adicionasse novos argumentos,elementos e ambientes , como é o caso do restaurante). O efeito que tem esse discurso, quando assistimos, é de riso diante das repetições praticadas pelo menino Chaves, que viram ofenças a velha carcomid... digo à Dona Florinda. Mas lendo atentamente fica claro o discurso "esquerdista-sindicalista" de Dona Neves (numa época em que ainda havia uma certa caça às bruxas , como bem lembrou o Edward, http://chaveseafilosofia.blogspot.com/2009/05/chaves-e-politica-nada-de-exaltacoes_5409.html#comments) , discurso esse, "encoberto" pelos: "Anta , chata , quadrada, mula...", não é genial?
E o genial não é porque é de "esquerda-sindicalista". Ao contrário disso, a leitura que podemos fazer do episódio em questão é que o trabalhador, no caso o Chaves , repete e papagueia discursos(pode ser tanto de "esquerda" como de "direita"), sem nem ao menos entendê-los. Dona Neves , simboliza quem se sensibiliza pela situação dos fracos e oprimidos (tá certo que ela desiste depois de ser chamada de louca). E Dona Florinda, a burguesia que acaba sedendo diante dos apelos, protestos e ameaças de fechar seu estabelecimento, preferindo perder os anéis ao invés dos dedos.
No fim há até um momento de ternura quando Dona Florinda consede o salário fixo, e meio período, para que o menino estude. Quem assiste não fica com raiva de ninguém. Genial!
Ahh,se conseguir direitos e salários melhores fosse tão simples assim...

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